Quando estava no jornalismo impresso o blog era uma ótima ferramenta para expandir a escrita. Agora, na rádio, os twitters e facebooks são uma boa forma de sintetizar as palavras, é bem verdade.
Acontece que já tenho uma tendência a ser objetiva demais, o que é um ponto positivo para quem faz rádio. O perigo da febre dos microposts mora no estímulo de um atrofismo literário. Acabamos tendendo a nos viciar em leituras instantâneas e frases descartáveis que somem no cyberespaço num picas de olhos, ou melhor, num clicar de mouse.
Na ânsia de não perder o último escândalo da “melhor banda de todos os tempos da última semana”, seguimos insaciáveis de twitter em twitter, entrando e saindo de links, sem na verdade dedicar muito tempo a nenhum deles.
O fato é que eu faço parte dessa corrida maluca desenfreada, e nesse momento em que tento atualizar meu estimado blog abandonado há um bom tempo – boa parte por conta de utilizar meu tempo livre para ler e escrever as tais frases descartáveis dos twitters e facebooks -, recebo uma ligação de uma amiga convidando para o cinema. Devo agora consultar as sessões e deixar este post para mais tarde. Acima dos twitters estão os blogs, mas acima de tudo, está a vida real. Mesmo que seja para passar duas horas numa sala escura assitindo a uma ficção. Volto já…
… Um dia depois aqui estou de volta tentando concluir essas breves reflexões sobre expansão e contração de idéias. Fica a dica para uma nova modalidade nas academias de ginástica, em alternância com as sequências abdominais.
Manter todas as mídias sociais atualizadas é uma escravidão digital que nos sequestra o prazer de olhar com outros olhos para aquele livro encostado na prateleira há anos e redescobrir suas entrelinhas. Ou catar aquele CD dos anos 90 esquecido no canto do rack e ouvir a faixa que não saía do discman, quando os MP3 ainda não despejavam uma música inédita a cada minuto no nosso HD.
P.S.: Por ser sobre escrita, optei por não colocar nenhuma foto ilustrativa neste post. Espero que isto não o torne monótono ou pouco atrativo.


Psicólogos são intensos, imediatistas, profundos, confusos, sagazes, descontrolados, solidários, desprendidos, indecisos, revolucionários, ex-petistas, ex-hippies, fãs encubados do Raul Seixas, ecumênicos, liberais, etc etc etc. Esse turbilhão de adjetivos os tornam subversivamente sedutores.




