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Chiquita: Uma balzaquiana bacana

18 18UTC Outubro 18UTC 2008 · Deixe um comentário

Gente, pensem numa luta que foi conseguir entrevistar a Eloy Iglesias! A bonita fresca horrores durante a entrevista, e cumprimenta a travesti que acabou de chegar – “mana, ela é uma travesti internacional chiquérrima, tem 2 mil litros de silicone!” – e chama a dona Mariazinha, e fresca, e fresca e fresca. No final deu tudo certo. Taí uma das entrevistas mais divertidas que já fiz!

E falando nas bi, hoje saiu uma matéria do novo espetáculo do Cuíra sobre o mundo gay, feita pela minha editora Juliana Rose. Não perde o serviço do release: “quem se declarar gay na bilheteria paga meia”. Vale a pena conferir: http://ee.diariodopara.com.br

Ah! Amanhã (sábado, 18/10) sai matéria que fiz sobre os novos coletivos de DJ´s de Belém. Tá babado!  

 

Belém-PA, sábado, 11 /10/2008 DIÁRIO DO PARÁ ·

BALZAQUIANA BACANA

A b a l z a q u i a n a mais enxuta da  cidade. Essa é  a Festa da Chiq u i t a   2 0 0 8 ,  que completa  30 anos hoje, com um espírito  jovem, inovador e livre de preconceitos.  Capitaneada pelo cantor  e performer Eloy Iglesias, a  festa começou no período da  ditadura militar, época improvável para se dar início a um  evento ligado à comunidade  gay. Reunindo um punhado de  intelectuais, que, segundo Eloy  Iglesias, por vezes freqüentava  a festa apenas para “tirar um  sarro” dos homossexuais, a  Chiquita tomou proporções  enormes, resistiu a três décadas e hoje faz parte do calendário do Círio. Eloy conta que  nomes como o ex-presidente  José Sarney e o ator Raul Cortez já estiveram na Chiquita,  além da atriz paraense Dira  Paes, que todos os anos marca  presença.   Neste ano, a festa terá  como atrações a travesti internacional Carla Ellen e o grupo  de carimbó Borboletas do Mar,  de Marapanim, entre outros  convidados. “Apesar de ter um  pé no segmento LGBT, é um  movimento cultural para todos.  Nada é ensaiado, tudo acontece  na hora. Se fosse ensaiado seria  chato. A Festa da Chiquita não  é o Auto do Círio, é o Baixo do  Círio”, diverte-se Eloy.  Como principal indicado  ao prêmio Veado de Ouro – entregue a personalidades que representam de forma signifi cativa  a bandeira LGBT – Eloy Iglesias  anuncia o maquiador Irandê  Mendonça. Conhecido nacionalmente, Irandê já maquiou  diversos artistas, especialmente  do meio televisivo. Já a deputada  Simone Morgado será coroada  Rainha do Círio e o secretário de  Estado Cláudio Puty foi eleito  Amigo da Chiquita, por seu  trabalho desenvolvido junto à comunidade gay. Serão entregues  ainda os prêmios Mauro Faustino para a imprensa e Chiquita  para uma drag queen escolhida  pelo público.  INTERNACIONAL ­ Ao unir sagrado e profano durante o Círio,  a Festa da Chiquita conquistou  visibilidade internacional.  Tudo por conta do documentário “As Filhas da Chiquita”,  dirigido pela cineasta paraense  Priscila Brasil em 2006 e que  já  participou de diversos festivais  mundo afora. “O fi lme da Priscila é uma grande contribuição  para a festa, para o Círio e para  a cidade. Todo mundo quer  fazer documentário sobre a  Chiquita, e a Priscila conseguiu fazer um trabalho que foi  a entrada dela no mercado do  cinema nacional e que hoje é o  seu grande cartão de visita”,  diz Eloy.   Para ele, as secretarias  de turismo deveriam investir  mais no público LGBT, que  é maioria na festa. “A Festa  da Chiquita é um evento que  movimenta o turismo e atrai  um público muito grande, que  ganha o seu próprio dinheiro”,  diz o cantor. Quanto à segurança,  Eloy diz que o evento contará  com a parceria da Guarda Municipal de Belém, mas alerta:  “Devemos nos divertir, mas  sem perder a consciência.  Guardem seu dinheiro, seus  documentos e andem sempre  em grupo. Hoje em dia a insegurança está até dentro de  escolas, imagine numa festa  ao ar livre”.  Para Eloy, é natural que  a cada ano o público da festa  seja maior. “O povo quer ir  para onde estão pessoas bem  humoradas, divertidas e inteligentes. A humanidade está  cada vez mais se matando. É  hora de acolher o outro, e não  de desampará-lo”, fi losofa. Quanto às críticas de que  a Festa da Chiquita seria um  desrespeito à imagem de Nossa  Senhora, Eloy argumenta que  o evento só inicia após a passagem da Trasladação. “A Igreja  moderna tem que repensar essas críticas, até porque muitos  homossexuais são religiosos.  Nossa Senhora nunca falou que  os gays não são fi lhos dela. O  mal está no que sai da boca do  homem”.

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